A recarga ocorre no momento em que 75 municípios estão em situação emergencial reconhecida pela Defesa Cívil, tendo como fator a seca em estágio extremo, isto é, quando há forte impacto social e econômico causado pela escassez hídrica na região.
O volume produzido pelas chuvas de fevereiro e início de março encheu pequenos reservatórios, reforçou as reservas de açudes de médio porte e dobrou o volume de Oiticica, segunda maior barragem do RN. Oiticica tem capacidade para armazenar 742,6 milhões de metros cúbicos. Na sexta-feira (06), ela armazenava 214,1 milhões, 28,8% da capacidade.
No total, 40 reservatórios públicos receberam recargas. Em Serra Negra do Norte, o sistema de abastecimento gerido pela prefeitura foi restabelecido depois que as chuvas encheram o complexo de 10 barragens, criando uma calha de 28 quilômetros de água no leito do Rio Espinharas.
As barragens Armando Ribeiro Gonçalves, em Itajá; Santa Cruz, em Apodi, e Umari, no município de Upanema – não tiveram volumes elevados pelas chuvas. Responsável pelo fornecimento de água para 500 mil pessoas em 38 municípios atendidos pela CAERN, além de projetos de irrigação no Vale do Açu, a Armando Ribeiro está com menos de 1 bilhão de metros cúbicos – 997,6 milhões -, conforme aferição feita na sexta-feira (06).
Santa Cruz acumula 320,5 milhões (53,4%). E Umari, fonte de captação de carros-pipa que levam água para municípios em situação de emergência, 143,6 milhões (49,0%). As reservas hídricas superficiais totais do RN acumulam 2,06 bilhões de metros cúbicos, 39,0% da capacidade total, que é de 5,29 bilhões.
São Francisco
O planejamento estratégico dos órgãos governamentais que cuidam dos recursos hídricos para 2026 prevê a entrada em Oiticica da segunda cota da transposição do Sçao Francisco, que é de 93 milhões. A primeira, de 79 milhões, ocorreu no segundo semestre de 2025.
“Estamos vendo isso, mas a tendência é receber uma nova cota de água do PISF porque nossas reservas acumulam hoje 39% da capacidade de armazenamento. E pode ser que o volume de chuvas em março e abril não corresponda ao que estamos esperando. Além do mais, a Barragem Armando Ribeiro vem perdendo água progressivamente”, diz o diretor presidente do IGARN, Procópio Lucena, lembrando que a barragem do Assú, como a Armando Ribeiro era conhecida anteriormente, é responsável por uma boa fatia do PIB potiguar.
“O volume armazenado nela atualmente equivale a 42% da capacidade. Então, vamos acumular tudo o que puder em Oiticica para depois fazer uma gestão compartilhada, de forma a garantir água para as duas, gerando riqueza, emprego, renda, segurança alimentar, enfim, desenvolvimento”, defende Procópio.
Sobre as chuvas registradas nas duas últimas semanas de fevereiro e nos primeiros dias de março, o diretor do IGARN afirma que elas foram importantes também para mudar o cenário no campo. “Ocorreram coisas maravilhosas em algumas regiões. Os riachos desceram com água, pequenos açudes encheram, cisternas receberam água da chuva, os animais podem matar a sede nos açudes e barreiros… Então, melhorou muito a situação, tanto na área urbana como na zona rural de pequenos municípios”, comemora Procópio.
O Rio Grande do Norte tem cerca de 25 mil espelhos d’água e 80 mil cisternas, que são instrumentos importantes nas ações de convivência com a seca. No período compreendido entre 01 de janeiro/26 e 08 de março/26, dos 12 municípios com maior volume de chuvas registradas pela Emparn, oito são da mesorregião Oeste, dois do Agreste e da Leste.
Onde mais choveu, Veja lista.
Período: 01/01/26/ a 08/03/26
Em milímetros
Portalegre: 517,4
Rafael Godeiro: 472,8
Martins: 432,2
Monte Alegre: 426.6
São Gonçalo Amarante: 421,6
Rodolfo Fernandes: 411,0
Itaú: 398,6
Serrinha dos Pintos: 396,7
Viçosa: 396,6
Severiano Melo: 39,2
Parnamirim: 383,7
Jandaíra: 376,8
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