sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

PERIGO - Jovens brasilienses se aventuram em monumentos públicos e cachoeiras

As imagens provocam um frio na espinha. O jovem sem camisa, muitas vezes sem capacete ou qualquer equipamento de segurança, se ajeita do alto de uma edificação pública ou de um penhasco, sorri para a câmera, respira fundo e se atira em queda livre. Ao fundo, ouvem-se aplausos, gritos e alguns palavrões de apoio. Em seguida, as imagens do salto ganham as redes sociais, dezenas, centenas de “likes” e mensagens de apoio, tendo a palavra “adrenalina” como personagem principal.

Esse tipo de cena poderia ter sido gravada em Pipeline Bungy, na Nova Zelândia, ou em Royal Gorge Suspension Bridge, nos Estados Unidos, onde saltos semelhantes são assistidos por empresas de segurança especializadas e com equipamentos de primeira linha. Mas elas ocorrem no Plano Piloto, em monumentos como a Ponte JK, a Ponte Costa e Silva e o Estádio Nacional Mané Garrincha. Cachoeiras nas imediações do Distrito Federal também servem como point de risco para performances improvisadas e até transmitidas ao vivo pela internet. A prática de esportes radicais em locais públicos, como pontes, além de ser proibida, é uma contravenção penal. E só pode ocorrer com permissão da autoridade legal.

Instagram e YouTube são as plataformas preferidas de jovens brasilienses. Nesses espaços virtuais, encontram-se com facilidade diversos vídeos e fotos de garotos e garotas que se exibem em práticas radicais como o rope jump e a queda livre. Sem serem incomodados, e quase sempre sem autorização do poder público, eles se atiram no ar sob o incentivo de quem estiver ao redor. Em uma das gravações obtidas pelo Correio, uma menina é carregada e jogada por três rapazes no vão da Ponte JK, presa apenas por uma corda “especial”, em uma aparente imprudência com a própria vida. As imagens são feitas à noite ou de madrugada.

Um dos aventureiros mais ativos desses canais tem 24 anos e se apresenta como estudante de engenharia de produção em uma universidade do DF e cofundador de um grupo conhecido como Caçadores de adrenalina. O jovem reúne no Instagram quase 2,5 mil seguidores (leia Memória), que, com frequência, têm acesso a vídeos com saltos mortais e com poucos equipamentos de segurança. Um dos cenários inusitados é o teto do Mané Garrincha. Do alto da arena, o rapaz usa a lona como uma espécie de cama elástica. As manobras são realizadas sem corda ou capacete — pelas imagens, ao amanhecer. Ele e alguns amigos ainda aparecem sentados no limite do estádio de 46m de altura, com as pernas voltadas para a parte externa, sem nenhum equipamento capaz de evitar uma tragédia. Adrenalina a qualquer preço é o que eles buscam. O valor à vida fica em segundo plano.

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