quarta-feira, 11 de março de 2026

ECONOMIA - Endividamento das famílias bate recorde no Brasil e já atinge 8 em cada 10 lares.

O endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde em fevereiro de 2026. Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que 80,2% das famílias têm algum tipo de dívida, o maior percentual desde o início da pesquisa, em 2010.

O número representa aumento em relação a janeiro e também supera o registrado no mesmo período do ano passado. Além disso, a inadimplência voltou a subir e chegou a 29,6%, depois de três meses de queda. Na prática, isso significa que quase 3 em cada 10 famílias estão com contas atrasadas.

Os dados também mostram que o atraso nas dívidas está ficando cada vez mais longo. O tempo médio de atraso chegou a 65 meses, e quase metade dos inadimplentes está com contas vencidas há mais de 90 dias. Outro dado que chama atenção é que 12,6% das famílias dizem não ter condições de pagar as dívidas atrasadas nem no próximo mês.

O cartão de crédito continua sendo o principal motivo do endividamento, citado por 85% das famílias que têm dívidas. Também aparecem na lista carnês de lojas, crédito pessoal, financiamento de casa e financiamento de veículos.

A pesquisa mostra ainda uma diferença entre as faixas de renda. Entre as famílias com renda mais alta, o crédito tem sido usado para manter o padrão de consumo. Já entre as famílias com renda de até três salários mínimos, o problema maior é o atraso nas contas: 38,9% estão inadimplentes, e quase uma em cada cinco afirma que não tem como quitar as dívidas pendentes.

O levantamento faz parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada mensalmente pela CNC em todas as capitais do país e no Distrito Federal. O estudo acompanha o nível de dívidas e a capacidade de pagamento das famílias brasileiras.

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